domingo, 17 de maio de 2009

Vik Muniz & "Extraordinary Garbage"

Pra quem não conhece o trabalho desse artista brasileiro radicado em NY, pesquise sobre ele! Vik Muniz é um paulistano que foi pro exterior onde tem seu trabalho muito aclamado. Tem exposição no MOMA e ganhou seu grande espaço por fazer arte usando uma matéria-prima muito conhecida por todos nós: o lixo, restos de computador e similares. Nada mais contemporâneo...

Inicialmente conheci o trabalho do Vik trabalhando na O2, onde em co-produção com a Almega Projects da Inglaterra, produzem um documentário sobre o trabalho do artista: "Extraordinary Garbage" ("Lixo Extraordinário"). No Rio de Janeiro há o maior depósito de lixo do mundo, o Jardim Gramacho e é nesse depósito cheio de moscas, dengue, muito lixo e algumas pessoas trabalhando lá que Vik Muniz extrai a matéria-prima para suas obras. Como um artista sensível à tudo o que pode mudar sua arte, ele faz painéis com imagens de alguns trabalhadores do Jardim Gramacho e o rumo da vida dessas pessoas, que até então são vistas como "lixo" pela sociedade mudam completamente, quando personagem da obra e artista vendem a obra num dos leilões mais importantes de Londres. Esse é o caso de Tião, que aparece no documentário.

Filmado em 35mm traz muitos assuntos à tona como coleta de lixo, exclusão social, orgulho e força individual, os quais caminham juntos com o mercado da arte contemporânea. O lixo volta para a sociedade totalmente transformado. Assim como as personagens deste filme, que também são reinseridos na sociedade completamente transformados.

E para quem está na capital brasileira de cultura, SAMPA, vá ao MASP e não perca a exposição itinerante do Vik Muniz por lá. E para aqueles que não consomem arte por falta de dinheiro, vá nas terças-feiras: o MASP tem entrada gratuita!

domingo, 10 de maio de 2009

Adolescência Rock'n'Roll

Esse meu retorno ao sul do país está me trazendo muitas lembranças. E tem uma em especial que quero escrever já faz um tempo... Lembranças de uma adolescência rock'n'roll. Eu e a Cris éramos unha e carne. A gente se via todo dia no colégio, se ligava todo dia quando chegava em casa, dormia uma na casa da outra todo findi, essas coisas que aborrescente faz. A gente celebrou alguns aniversários do Jim Morrison juntas, a gente pintava a unha de preto e em Galópolis achavam que éramos filhas do demônio, a gente ouvia rock, gritava na "orelha" da aranha, experimentamos muitas substâncias juntas, tínhamos o dia da "puta que o pariu" (ótima!), a gente ria, chorava, dançava livremente, tomamos cada porre de vinho e Green Valey (becks!), a gente lutava contra o mundo por julgar sermos incompreendidas, a gente tinha a cabeça no lugar, queriíamos desbravar o mundo. Nada tão anormal para 2 gurias de apenas 14 para 15 anos.
Num findi desses fui dormir na casa da Cris. Literalmente uns 15 anos depois. Passamos a tarde de sábado olhando as agendas que ela tinha daquela época, vimos fotos, rimos, foi um revival daqueles!!!!! E sabe qual foi a conclusão que eu cheguei: a gente andou, mudou, trocou o penteado, passou por poucas e boas, mas a essência é a mesma, neh Cris?! A gente continua acreditando na bondade humana (eu sempre continuarei!), a gente continua querendo ter um cara especial para ficar juntinho, a gente continua reclamando de morar em Caxias, a gente continua tendo dias de "puta que o pariu" mesmo que não esteja mais marcado nas nossas agendas. As agendas podem ser um capítulo a parte: muito cara bonito colado, época grunge de Eddy Veder, Axel Rose à Kelly Slater, Brad Pitt, Keanu Reeves e afins, muitas frases de impacto, letras de músicas, fotos de praia, guardanapos de lugares legais, mais caras saindo do mar, roqueiros, praia, frases, cores, muitas cores. Cris, a gente continua sendo aquelas garotinhas criativas que gostam de rock e tem muito amor no coração!!!! Simples assim... Foi ótimo olhar para trás e reviver essas lembranças que na verdade são a nossa base. Descobrimos que pensávamos ser super louquinhas das idéias, mas a gente tinha era a cabeça no lugar. Tanto temos a cabeça no lugar que hoje estamos aí: bonitas, fortes, cheias de sonhos, com saúde.
Sabe, concluo que os 30 é a melhor fase da vida. Podemos olhar para trás com um certo saudosismo, mas estamos perto, bem perto de voltar à nossa verdadeira essência da alma para poder realizar a nossa tão falada missão. Dá para entender esse meu pensamento mega intergaláctico espiritualista? Cris, vamos reavivar aquelas qualidades maravilhosas e criativas que temos tanto orgulho!!!! Acho que virar adulto faz ficarmos chatos, rabugentos, velhos... A gente continua aquelas meninas!!! Menos ansiosas (ufa!) é claro, mas a gente tem tanta audácia ainda... E nossos cabelos.... hhhhhmmmm estão bem mais sedosos, não?! (rs) Não interessa quantas dúvidas a gente tente criar ao longo da vida, acredito que devemos sempre estar próximas uma da outra para reavivar aquela chama que a gente tem dentro da gente, amiga. Criatividade, ousadia, alegria, liberdade de expressão, planos de ação, indignação contra os males do mundo, diversão, sinceridade. E tu esses dias me disse que falou pra tua mãe que eu sou uma amiga das antigas que tu tens as melhores memórias, lembra? Acho que isso acontece porque eu assim como tu, tenho essa essência da verdade e da liberdade.
Te adoro, Cris! Vamos cultivar nossa essência para um todo sempre e vamos combinar um chá das 5 quando a gente já não tiver mais esses cabelos sedosos, para que ainda possamos comemorar o dia da "puta que o pariu"!!!!!!
E viva a vida!

P.S.: Cris, hoje é aniversário do Bono Vox. ;-P

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Gripe Suína????

Bah, na boa, a mídia é tão escrava da banalidade que eu ainda me impressiono.

Veja bem, hoje o Banco Central baixou os juros do país novamente e HOJE o Brasil deixou de ser o país com maiores taxas de juros no mundo, mas se falou muito mais na tal gripe Suína do que qualquer outra coisa. Tem cabimento? Parece até que é a epidemia da peste negra, AIDS no ínicio dos anos 90, ou tuberculose no séc. XIX, com a grande diferença de que no MUNDO há pouco mais de 100 casos da doença, eu disse no MUNDO. Mas que sensacionalismo, hein?! Claro que tem que tomar medidas para não espalhar a doença, o que é óbvio que no Brasil a ANVISA tá cuidando, tá cuidando, mas ninguém tá usando máscaras no aeroporto de Garulhos e também não diz quantos funcionários estão trabalhando no controle da doença e isso sim deveria ser noticia nesse país. A falta de responsabilidade de um órgão público como a ANVISA sobre um assunto que o mundo está em alerta, mas voltando ao meu ponto inicial: precisa o mundo estar em alerta? É claro que com o mundo globalizado, com a facilidade de se viajar pro exterior e com as misturas de culturas, é óbvio que uma doença tem mais facilidade de ir para outros países num piscar de olhos. Assim como se pode passar AIDS mais facilmente por esses mesmos fatores, assim como se pode o mau caratismo de políticos, por exemplo, ser exportado para outras localidades e o que é pior o dinheiro que eles roubam são transportados mais facilmente ainda, assim como muita gente no Brasil recebe a reveria LSD que vem diretamente de Londres via Os Correios do Brasil e The Royal Mail, your majesty. E? Tô com essas ultimamente... e? E isso é assunto nacional, mundial, de alta importância? Claro que não! O importante mesmo é a Gripe Suína... E tem outra, já repararam que todo ano tem uma epidemia de alguma gripe quase mortal? Já teve a Gripe Asiática, lembram? Pois é, foi outro alarido mundial, mas alguém conhece alguém que morreu de gripe asiática?

Tô fazendo essa "polêmica" só porque eu acredito que a mídia deveria informar sobre a gripe essa, mas sem alardes, sem dramas. Vamos mostrar as coisas boas que acontecem no mundo também? De quando em vez, só para mudar de assunto? E as curas diárias que acontecem, alguém faz alarde? Os juros baixaram, a justiça foi cumprida, houve uma meditação em massa pela paz e ainda, no mesmo dia, algumas pessoas se protegeram da gripe suína e no Brasil, o Ministério da Saúde já tomou tais e tais medidas e chega desse papo, pronto. É um frisson em cima do Ronaldo Fenômeno, do "Curinthia", da Mulher "Gelatina", da crise mundial, da gripe-não-sei-das-quantas, do final da novela das 8, em cima de qualquer banalidade, mas e as alegrias do mundo? As artes? Educação na TV brasileira nem pensar, neh?

Fica aí meu protesto contra a mídia dramática e sensacionalista mundial, que essa tal de Gripe Suína venha contaminar a cabeça dos povos com mais notícias relevantes.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Eu desejo que todos entendam seus sentimentos.

Eu sempre escrevo sobre lindos filmes e peças de teatro, mas hoje em particular eu quero escrever sobre meus sentimentos... Os quais não são os mais positivos do planeta Terra, mas também não devo ignorá-los por isso.
Eu desde muito nova sou a diferente da família, sou aquela que não quis debutar e ser apresentada à sociedade caxiense, sou aquela que pintava as unhas de preto e escutava rock, aquela que fala dos seus sentimentos mesmo que eles não sejam os mais positivos do mundo, sempre tive que aprender a ser e sempre quis ser independente, sempre tive um gênio forte, pra não dizer difícil, sonhava em morar fora de Caxias desde os 12 anos de idade, sempre fui inconformada, tenho sonhos profissionais estranhos aos meus familiares e aos 30 anos ainda não me ajeitei na vida, até porque não me casei. Vejam isso: Eu não me casei aos 30. Não que eu tenha orgulho disso e que eu ache casamento a maior babaquice do mundo, bem pelo contrário, mas eu não me casei e...? E sei que estou falando de tudo isso porque quero falar de um bloqueio emocional que eu tenho.

Li hoje no newsletter da Kabbalah que eu recebo e diz assim:

A parent who makes a habit out of denying his children's feelings is creating problems for that child down the road.

Today, put your point of view aside and understand where your kid (friend, boss, cousin ... ) is coming from. Empathy teaches kids to trust their feelings and intuitions, and it creates sensitivity to the feelings and needs of others.

E eu descobri que tudo o que eu preciso dos meus pais é "empathy". Sim, sim, eu sei que aos 30 anos eu já não deveria precisar de mais nada deles, mas faltou preocupação com os meus sentimentos desde sempre e isso vai me fazer falta aos 30, 40, 50. Eu consigo entender a razão da minha mãe e do meu pai para isso, mas acho que entender não faz com que esse ponto seja extinguido, puff. E é por isso que eu sinto tanta falta das minhas avós... Elas foram mulheres maravilhosas, sem dúvida, mas o mais importante pra mim era a preocupação que elas tinham com os meus sentimentos. E muitas vezes um cafuné nas costas para dormir e um pão-de-ló quentinho fazia toda a diferença na minha vida. Eu me sinto enrolada em sentimentos que não são meus e que nunca foram falados, expostos e talvez seja por isso que eu desde muito nova tenha aprendido a falar o que eu sinto. Acredito que tudo na vida seja tão perfeito ao ponto de que a falta de "empathy" me impulsione a gritar por renovações e que essa renovação vai beneficiar pessoas que são muito queridas à mim. Quero deixar o sofrimento de lado, quero que todos tenham paz e muito amor para expor. Quero ter filhos lindos para eu ter a preocupação de entender os sentimentos e idéias desse novo serzinho. Isso me fascina, devo admitir. Quero poder sentar com os meus pais e receber um carinho, um elogio, uma mão estendida para o que der e vier. Para alguns esse papo deve parecer uma coisa de outro mundo, mas acontece mais próximo de cada um de nós do que possamos imaginar. As pessoas ficam presas em algum lugar, dentro das regras de algum ditador babaca que todo mundo resolveu baixar a cabeça, saca? O que realmente importa são os sentimentos que guiam nossa razão ao bem, ao amor, à compreensão, à compaixão uns para com os outros. O resto é bobagem! Eu quero que o sol acalente todos os corações que leem esse post hoje e que a lua venha trazer aquilo que está obscuro à tona, para que o sol, na luz do dia, possa acalentar as dores. Eu desejo arduamente que meus monstros sejam vencidos por mim nessa batalha acirrada que eu ando me propondo. Eu desejo que os meus entes queridos coloquem suas bruxas para fora, eu desejo que aquilo que é de mais sagrado, o amor, que ele inunde tudo e todos que estão à minha volta! Eu desejo que os pais de muitas gerações que estão por vir, que eles escutem seus filhos, que eles se preocupem com seus sentimentos, para que cada um de nós consiga viver numa compreensão sublime de paz e amor.

domingo, 26 de abril de 2009

"À Deriva" em mostra paralela no Festival de CANNES 2009


Veja entrevista com o querido Heitor Dhália:





Sucesso O2 Filmes e Heitor!!!!

"Silêncio no set, tem audio rodando."

Bom, depois de 1 mês e meio de trabalho, o circo foi armado e "Os Amigos Bizarros do Ricardinho" estava tomando forma. Passeamos por Viamão com gerador e tudo o mais... Alguns imprevistos, outros encaixes fluidos, uma equipe bem profissional e 3 ótimos diretores maestrando as imagens. Saldo mais que positivo! Valeu as 15h de trabalho diarios, bah se valeu. Conheci muita gente do mercado de Porto, aprendi muito, figurei com meus amigos, me estressei, resolvi, organizei e cada vez que eu parava na frente do videoassist eu gostava muito do quadro que estava vendo. Ponto pra equipe! A RED foi a estrela do set e eu, mais uma vez, senti satisfação.

Logo, logo teremos muitas noticias deste filme moderno, pretensioso, com uma linguagem bem diferenciada para padrões brasileiros. Quero cuidar da conta deste filme!

Parabéns à toda equipe, foi um prazer!


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Que agito! Faz dias que eu estou querendo postar e o tempo sempre insiste em fugir. Muitas coisas estão acontecendo: encontros, reencontros, lembranças. São tantas emoções... Quando eu ligo pra São Paulo todo mundo fala que o meu sotaque está forte "as ganha", como diriam os meus, e eu sempre rebato dizendo que agora estou no MEU RIO GRANDE, tchê! Que coisa boa! Rever amigos, conhecer pessoinhas que recém vieram ao mundo, relembrar histórias, falar de momentos, estreitar laços, desvendar coisas, sentir-se em casa e ainda de lambuja, ver os milicos do Colégio Militar correndo na Redenção. hahahaha
Volto em breve com algumas novidades...
Correria.

Keep it in mind:

Trust that there is a force steering you towards what’s best,
and surrender to it.


There is always something good waiting for you.


"We created it, let's take it over!"
Patti Smith


segunda-feira, 30 de março de 2009

Dica Cinéfila - The Royal Tenenbaums (2001)

Um das tarefas que eu mais gosto nessa profissão ralada que eu escolhi é a pesquisa sobre assuntos interessantes. E muitas vezes a minha pesquisa significa ver um filme... ;-P

Um ótimo filme, com ótimos atores, uma direção de arte minuciosa, personagens bem peculiares e uma história de amor entre familiares e agregados. Vale a penaaaaa!!!!!
Direção de Wes Anderson.

SOMOS TODOS UM!










segunda-feira, 16 de março de 2009

Pobre, porém limpinho...

Li isto e preciso repassar a informação... Fica aí o meu protesto!

O cinema em época de crise
Assim que a crise norte-americana foi divulgada, no segundo semestre de 2008, falei com uma amiga atriz, que vive em Nova York há muitos anos. Ela praticamente cresceu lá, então é compreensível que partilhe um bocado da identidade daquele povo. Minha amiga não parava de falar do lado de lá do Skype e eu, do lado de cá, imaginava que, finalmente, os extraterrestres haviam pousado no teto da Casa Branca e faziam o presidente Bush de refém. Parecia que o próximo passo seria dominar a rede de televisão e explicitar suas ameaças ao resto do mundo. Os ETs, provavelmente, estariam sugando os cofres públicos com dragas enormes e estariam preparando a ativação de "ovos" de criaturas adormecidas, deixados na Terra há muito tempo para que agora, finalmente, saíssem das profundezas do magma, a fim de matarem os seres humanos e dominarem o planeta.

Minha amiga é atriz, mas não é desmiolada. Não tanto. Ela apenas achava, como toda a população norte-americana, que a economia ocidental estava acabando, os Estados Unidos estavam desmoronando e, por consequência, havia chegado o apocalipse. Eu tentava acalmá-la, dizendo que o pior que poderia acontecer era voltarmos ao sistema de trocas, à monocultura e à sociedade tribal nômade. Tentava dizer que a crise não ia afetar em nada os bosquímanos na África, nem o matuto que planta tomate em seu quintal, no interior de Minas Gerais.

Mas não adiantou muito. Como disse, minha amiga é atriz e vive em Nova York, único lugar em que a indústria do cinema se desenvolveu plenamente ao longo dos anos como um ramo econômico rentável e poderoso, capaz de influenciar a história da humanidade, além de empregar milhares de pessoas ― desde costureiras e cabelereiros a eletricistas, arquitetos, administradores etc.

Passado o desespero inicial, os norte-americanos começam a aprender a lidar com a moderação e a mudar seus hábitos consumistas que, convenhamos, sempre estiveram em um patamar astronômico e escandaloso, em relação a muitos países ― e não me refiro a países do terceiro mundo. Eles também estão vendo que a pobreza não é uma escolha e que, por pior que seja, não é o fim do mundo.

Depois de todos esses meses, minha amiga já está mais calma. Em todo caso, vem tentar a sorte no Brasil, veja só. É que as produções cinematográficas e audiovisuais nos Estados Unidos foram as primeiras a sofrerem com os cortes orçamentários. Algo bastante previsível, já que, nessas horas, cultura e entretenimento viram "superfluosidades", como diria o Manolito, personagem das tiras da Mafalda.

Nesse sentido, a premiação do Oscar deste ano diz muito. Com um orçamento de 15 milhões de dólares, Quem quer ser milionário? foi o grande vencedor da noite, desbancando O curioso caso de Benjamin Button, que consumiu nada menos do que 150 milhões de dólares em sua produção. Mais do que promover uma discussão em torno da qualidade cinematográfica atual, isso sinaliza uma nova tendência em tempos de crise financeira e manda dois recados: o primeiro deles é que, neste momento, o dinheiro indiano é muito bem-vindo nos Estados Unidos; o segundo é que as produções norte-americanas têm que baixar um pouco a bola, afinal, uma produção cara não é condição necessária para que uma boa história seja contada ― dentre outras medidas a serem tomadas, as estrelas de cinema têm que sair do céu, pôr o pé na calçada da fama e baixar um pouco o valor de seus cachês milionários.

Desde a cerimônia de entrega do prêmio, a Índia vive uma espécie de feriado nacional ou de carnaval brasileiro. Acho que no dia em que um filme nosso abocanhar uma mísera estatuetinha daquelas, faremos o mesmo alvoroço, não só porque isso implicaria o reconhecimento de um produto nacional, mas porque alavancaria a profissão de quem ganhasse.

Aí, os brasileiros começam a sonhar: se os indianos ganharam o Oscar com 15 milhões, falando sobre um favelado, nós podemos ser os próximos. Bem, favelado é o que não falta no nosso país. Já os 15 milhões para fazer filme... Se o Brasil chegar a ganhar um Oscar, a comemoração deverá ser ainda mais emocionada, já que nossos filmes, quando muito, conseguem ser feitos com 5 milhões. De reais. Na verdade, boa parte da nossa produção não passa de 3 milhões de reais. Falo daquelas produções chamadas "independentes" que têm que pedir permissão à ANCINE e, em seguida passar o chapéu, batendo à porta de tudo quanto é empresa e esmolando um pouquinho de contribuição para o lanche do ator principal.

Como disse, uma produção cara não garante que um filme conte uma boa história. Mas um orçamento risível como o nosso dá menos garantia ainda.

Neste exato momento, determinado filme brasileiro, cujas filmagens se deram no sertão da Bahia, está sendo finalizado. Ouvi boatos de que seu orçamento gira em torno dos 20 milhões de reais, o que é uma fortuna para os padrões nacionais. Isso permitiu não apenas a contratação de um grande preparador de lutas marciais, conhecido mundialmente, como também assegurou a utilização de bons equipamentos, remuneração adequada para toda a equipe, contratação de uma direção de arte e de fotografia de tirar o chapéu e por aí vai.

O problema é que, meses depois, a cidadezinha usada como locação recebeu a equipe de produção de um outro longa metragem brasileiro. O orçamento, desta vez, é bem mais modesto e não chega a 3 milhões de reais. Preciso dizer que a tarefa mais árdua tem sido fazer a população local entender por que, desta vez, não se pode pagar valores maiores para a figuração, aluguel de casas, diárias de pousadas, pagamento de refeições etc?

Enquanto o Oscar faz os norte-americanos entenderem que devem reduzir os custos em tempo de crise, o cinema brasileiro vive uma crise permanente, independentemente de como anda a economia do nosso país. É que, infelizmente, essa condição se deve menos à falta de dinheiro no Brasil do que à falta de visão de políticos, empresários e administradores, que não percebem os benefícios de uma produção cinematográfica para a sociedade. Além de gerar muitas vagas de trabalho temporário, mobilizar a economia local e promover o turismo, os filmes divulgam a identidade e os valores de um povo, atraem público em festivais e mostras e têm potencial para ser usados no setor da educação.

Aí, você me diz que o cinema nacional é ruim. E que, exceto por Se eu fosse você e 2 Filhos de Francisco, os filmes brasileiros não dão bilheteria. Vamos por partes, como já disse Jack, o estripador...

O cinema no Brasil tem sua origem nos cinejornais e nas radionovelas. Por um tempo, espelhou-se nos musicais de Hollywood, mas o que fez sucesso por aqui mesmo foram as chanchadas, as pornochanchadas e as produções que não guardam muita diferença daquelas que são feitas para TV. Não menciono os filmes do Cinema Novo, do Udigrudi e outros movimentos "alternativos". O que sempre atraiu o público aqui foram as comédias escrachadas, cujo enredo não traz complexidade e que costumam ser esquecidos assim que o sujeito deixa a sala de cinema. Então, a gente questiona se a qualidade dos filmes é ruim porque o povo só quer ver filme ruim ou se o público vê filme ruim porque não há nada melhor para se ver. Não sou eu quem vai responder a essa pergunta jurássica. Só o que posso dizer é que ela resume os dois principais problemas do cinema brasileiro: a distribuição e o roteiro.

A distribuição é um tema já batido nos círculos cinematográficos. Todo mundo sabe que é muito cruel disputar com as superproduções norte-americanas de 150 milhões de dólares. Do mesmo modo, é difícil disputar com um filme feito e distribuído por uma grande distribuidora. São justamente esses filmes os que têm mais grana para torrar com sua divulgação. Consequentemente, eles atraem mais o público e permanecem por mais tempo em cartaz.

Já o roteiro é um tema tabu. Dizer que não temos bons roteiros é pedir para levar uma pedrada nos festivais de cinema do país. Mas a verdade é que, no geral, não temos mesmo bons roteiros. Isso se deve à falta de formação e de reconhecimento da profissão no Brasil. Mal temos cursos de graduação em Cinema, que dirá uma formação superior e especializada em roteiro. O resultado disso é que nossos filmes são escritos por profissionais de áreas afins, oriundos, sobretudo, da TV e da literatura. Só que televisão e literatura não são cinema e, na maioria das vezes, o texto que se apresenta para uma equipe de filmagens não foi trabalhado à exaustão, como deveria, e está cru, mesmo que a intenção seja boa.

As técnicas empregadas na construção de uma história são determinadas, em parte, pelo suporte midiático e orçamento (ou por restrições orçamentárias). Existem ainda outras condições que determinam a duração da narrativa e o modo como esse tempo e o tema serão distribuídos na tela.

Além disso, cinema é uma atividade muito cara ― mesmo para a nossa média de 3 milhões de reais ― e, por isso, nenhuma frase de um roteiro pode ser gratuita. Isso faz com que sua escrita seja um trabalho demorado e minucioso, ao contrário de roteiros de tv, que lidam com o imediatismo.

Como se não bastasse o imediatismo, os índices do Ibope também interferem nas histórias contadas na tv. Por isso, não é raro que o público perceba quando a trama se arrasta numa embromação sem fim ou, ao contrário, muda do dia para a noite, com a inserção ou a morte abrupta de personagens, acontecimentos radicais e um deus ex machina no final, ingrediente que salva todo mundo de uma única vez.

Quanto à literatura, a diferença é ainda maior. Só o fato de não podermos usar o tempo passado, o futuro, adjetivos, períodos longos e fluxo de consciência nas ações e rubricas de um roteiro cinematográfico já mostra o quanto o cinema é mais pobre, em termos verbais.

Escrever e publicar um livro também é algo bastante pessoal; as decisões concernem basicamente ao escritor e ele faz o que lhe der na telha. Já o roteirista de um filme é a primeira engrenagem de um sistema muito maior, e a história que inventa só se torna uma obra de verdade depois de passar por uma infinidade de gente que acredita naquilo que ele escreveu e que dará a sua contribuição profissional. O trabalho, como se vê, é coletivo, por mais que a idéia inicial tenha sido sua.

As diferenças entre tv, cinema e literatura são enormes e merecem uma crônica própria. Eu mesma tive dificuldades em aceitar que elas existem e que, de fato, precisamos investir na formação de roteiristas no Brasil. Essa é, sem dúvida, a forma mais barata de se investir no cinema nacional. Precisamos aprender a explorar todas as formas possíveis de narrativas visuais e absorver o máximo de técnicas de escrita de roteiros ― até mesmo para poder subvertê-las e recriá-las ao nosso modo.

Só com muita criatividade e conhecimento técnico poderemos fazer com que nossos 3 milhões de reais médios sejam capazes de concorrer com produções estrangeiras caras, em que uma única cena de um submarino atacando um rebocador, por exemplo, custa mais do que um longa-metragem brasileiro.

E os norte-americanos é que dizem que estão em crise...

Pilar Fazito
Belo Horizonte, 16/3/2009

domingo, 15 de março de 2009

Festival de Verão do RS de Cinema Internacional

Estou um pouco atrasada, mas ainda dá pra aproveitar:

Em sua quinta edição, o Festival de Verão do RS de Cinema Internacional acontecerá pela primeira vez em março. Entre os dias 12 e 19 uma farta programação será oferecida neste final de verão, com o intuito de lotar os cinemas gaúchos no retorno das férias. Realizado em sua maior parte em porto alegre – capital com maior número de salas de cinema por habitante no Brasil – o evento não se limita à cidade e leva uma diferenciada seleção de filmes a importantes municípios do interior e também a cidades que não possuem salas, através de exibições com projetor móvel. Uma forma de democratizar e popularizar o acesso à arte cinematográfica, alcançando espectadores aonde quer que estejam. Durante uma semana a programação do evento se multiplica por diversas salas, espaços abertos e pontos alternativos. Os municípios que farão parte dessa edição são: Porto Alegre, Caxias do Sul, Erechim, Santa Maria, Rio Grande e Guaíba. Para este ano, estão previstos mais de 40 filmes de distintos países, todos inéditos no estado. O festival oferece ao público, além das tradicionais sessões, aulas magnas, workshops e sessões comentadas, onde diretores, produtores e atores convidados se aproximam do espectador e juntos realizam uma rica troca de ideias. Muitas dessas atrações, que compõem a programação paralela do festival, oferecem acesso gratuito ao público. Para se inscrever nessas atividades, os interessados devem procurar a central de informações do evento, que estará aberta a partir do dia três de março, das 14h às 20h, na Casa de Cultura Mario Quintana. A central funcionará até o dia 19, e lá também é possível receber mais informações sobre a programação. O melhor da cinematografia do Brasil e do mundo em mais uma oportunidade imperdível, uma marca de qualidade no início da temporada cinematográfica 2009!

Entre no site: 5o. Festival de Verão do RS de Cinema Internacional

terça-feira, 10 de março de 2009

Please to meet you, I hope you guess my name

Pra EU me redimir do péssimo humor de ontem, hoje posto novas fotos que foram para a mídia dos meus queridinhos da música: Beatles e Rolling Stones.









segunda-feira, 9 de março de 2009

MIM não conjuga verbo, PORRA!

Assim ó, desculpem aí o mau humor do post, mas PUTA QUE O PARIU. Em Caxias TODO mundo fala "MIM", cacete. MIM o quê, indiada? Desde a minha mãe até o cara no bar te dando uma cantada, TODO mundo usa:

- "Ela falou pra mim comprar o feijão que ela cozinha pra mim..."
- "Eu tava com tudo programado pra mim trabalhar lá esse semesntre e me deixaram pra trás..."
- "Gatinha, porque que tu não dá um sorrisinho pra mim ir pra casa feliz?"

PRA MIM O QUÊ, PORRA?

Como eu posso levar as pessoas a sério? A gaúcha que está no BBB09 também fala essa merda de "pra mim alguma coisa". MIM não conjuga verbo, PORRA! E eu também falava errado, a gente fala assim aqui no sul, mas daí eu me questiono: como eu consigo mudar meu jeito de falar? como eu consigo melhorar, evoluir, passar para o próximo erro de português? As vezes me pesa tanto o fato de eu ter ido pra Londres, depois pra São Paulo, ter procurado uma independência desde muito nova, ser "corajosa" e todo aquele blá, blá, blá. Isso na verdade me pesa porque me distanciou da minha família, porque me tornou uma pessoa com habilidade de conseguir mudar um vicio de linguagem, porque me fez ver e ouvir habitos novos. Isso nunca deveria ser um peso. NUNCA!

Tudo bem, eu continuo sendo a corajosa, estranha, mas no fundo fico grata por falar "PRA EU GOSTAR, PRA EU CRESCER, PRA EU AMAR, PRA EU MUDAR, PRA EU VOAR, PRA EU, PRA EU, PRA EU".

domingo, 8 de março de 2009

Kabbalah Tune Up

The power of miracles is available to us at every moment.

There are many practical steps you can take to connect with this power. They all involve finding excitement and beauty in the permanent and lasting gifts of the Creator.
  • Begin the day with gratitude
  • Realize that life itself is a miracle.
  • Recognize the precision and wonder of nature.
  • Seek the Light in every person you meet.
  • Identify the Light in all things.
Exercise these five steps today and you will have the power of miracles on your side. Create the unthinkable - for yourself, for your loved ones, and for the world.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Spiritual Energy System by Alex Grey

The LIGHT




There is a Light that shines
beyond all things on earth,
beyond us all,
beyond the heavens,
beyond the highest,
the very highest heavens.
This is the Light that shines in our heart.

One







"When you make the two one,
and when you make the inside like the outside
and the outside like the inside,
and the above like the below,
and when you make the male and the female one and the same...
then you will enter the Kingdom of God."

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Talk Fims/SP - marketing gratuito

Devo dizer de antemão que eu não tô ganhando nada com isso... Mas conheci os garotos e a garota desta produtora, chamada Talk Films e acabei de ver o reel deles na internet. Quis dividir este conteúdo aqui no blog para mostrar o trabalho de uma galera que faz a coisa acontecer em Sampa, sem ser os peixes-grandes do mercado. Inovador, criativo, moderno e dinâmico, como Sampa.

Curtam ae:



Vejam também o último clipe do diretor Ricardo Laganaro, para a banda NX Zero "Daqui pra Frente", que mistura conteúdo de video e internet. Conta a história de Julia, uma adolescente que briga com a mãe e o namorado, pega seu skate e se lança numa aventura pelas estradas brasileiras. Um “road clipe” que termina de forma surpreendente e tem sua continuação na mini série de 16 espisódios que será lançada na internet, contando o que aconteceu com Júlia, que registros e confissões ela fez em sua jornada e como acabará essa aventura. Bom, o video a gravadora tirou do ar... (malditos direitos autorais - Universal Music), mas uma parte do conteúdo pra internet segue aí:



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

"Das auto", propaganda da Volkswagen

Toda vez que eu assisto essa propaganda, eu dou risada, não tem jeito. Isso pode acontecer por causa do meu ex-chefe, o alemão judeu que tenta arduamente aprender as gírias brasileiras, mas o sotaque não nega sua raça... (rs). Daí, fui procurar a ficha técnica do filme publicitário para postar aqui no blog e que que eu descubro? Que quem assina a direção deste filme é o Fernando Meirelles. Daí, eu entendi tudo! Assistam e deem boas risadas:
P.S.: segue abaixo ficha técnica do filme para os interessados.



Ficha técnica

Criação: Gustavo Sarkis, Renato Fernandez. André Kassu e Marcos Medeiros
Diretor de criação: Marcello Serpa, Dulcidio Caldeira e Luiz Sanches
Diretor de arte: Marcos Medeiros
Redator: André Kassu
Fotografia: Manolo Moran e Alexandre Ermel
Produtor gráfico: José Roberto Bezerra
Atendimento: Fernão Cosi, Tiago Lara e Aline Macedo
Direção de cena: Fernando Meirelles
Produtora de filme: O2 Filmes
RTVC: Egisto Betti
Trilha: 1927 Audio
Finalizadora: Tamis Lustre
Produtora de som: Tesis
Planejamento: Cintia Gonçalves, Caio Casseb e Renata Bonilha
Mídia: Zuleide Rampazzo, Daniele Valle e Wagner Dobner
Aprovação pelo cliente: Flávio Padovan, Marcelo Olival e Herlander Zola

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Chora cavaco!



Essa é pra inglês ver e se ajoelhar! rs

Foi Carnaval no Brasil...

Quarta-feira de cinzas... e mais um carnaval aconteceu no Brasil. Em geral os brasileiros não pensam sobre o assunto e gostam mesmo é de bancar os machões sejam nordestinos, campinenses ou até mesmo pelotenses (fazendo jus à fama), mas o Brasil é o único país do mundo onde por 5 dias ao ano todos exaltam, engrandecem e ainda esperam ansiosamente 360 dias para ver homens vestidos de mulher e mulheres mostrando seus silicones por aí. Bom, mas as mulheres no Brasil mostram seus silicones e bundas na TV o ano todo, acho que o frissom do canarval mesmo são os homens...
E em Salvador? Aquele esfrega, esfrega, aquele sacode, sacode, muita bebida, sexo e axé. Na boa, não sou puritana, nem santinha do pau oco, mas eu acho função demais pra minha cabeça. Antagonismo demais para um país tão católico e tão cheio de preconceitos morais, um país tão conservador e antiquado quanto o Brasil. Alguns leitores podem achar que eu estou devaneando: "Brasil, um país conservador", mas se assim o pensar, eu lhes desafio a pesquisar sobre outras culturas por aí afora e depois a gente discute a minha loucura, ok? E voltando ao carnaval, não pensem que eu acho tudo um horror, poxa, o som da bateria que uma escola de samba faz, a musicalidade desse carnaval tão rico é indiscutível, o poder e o entusiasmo que a musicalidade carnavalesca geram. E as marchinhas de carnaval? Também são uma delícia de se dançar e escutar. E fora a musicalidade e o trabalho artístico das escolas de samba, com suas pesquisas para o enredo, figurinos, carros alegóricos, produção de todo o desfile, samba no pé, contação artística de uma história. Agora, fora isso, o que sobra? Sobram vaidades, criminalidade, tudo-se-pode-sem-se-preocupar-com-nada-em-5-dias, sobram ilusões de prazer, competições bundistícas, muita sujeira no chão, desperdício e muita história para contar para seus amiguinhos de facul, trabalho ou até mesmo para a mídia. História de glória, de benfeitoria, histórias de amor, de evolução, consciência, paz e compaixão???? Na maior parte dos casos não!!! Mas eu me pergunto se as histórias que eu acima mencionei são histórias babacas, sem valor, de nenhuma importância ou se são a verdadeira essência da vida? Então, toda a função de um ano inteiro para viver a ilusão do carnaval é na verdade aquilo que realmente tem valor? Na boa, nunca gostaria de acabar com o desfile das escolas de samba do Rio e de São Paulo, nunca! Isso é um show e tem que continuar... Mas eu gostaria de parar com o desfile de Globais e bundas malhadas, isso sim. Cadê as passistas deste Brasil, as mulatas e os homens com samba no pé?
Eu exterminaria o carnaval da Bahia, por exemplo. Pra quê carnaval? Pra mostrar a Claudia Leitte tirando leite para dar para o seu filho de dias de idade? Que marketing barato, hein Claudia Leitte, tu não precisa disso... Sem contar que na Bahia há festa 300 dias por ano... Por qual razão só em 5 desses dias chamamos de carnaval? Não estou falando mal dos baianos, mas é a pura verdade... E nãome levem à mal, o que eu conheci da Bahia, eu amei! Mas existe pré-carnaval, pós-carnaval, carnaval de inverno (eu nem sabia que existia inverno no nordeste...) e devem existir muitos outros carnavais que eu nem estou inteirada do assunto.
Na verdade, o que eu gostaria de acabar são com as vaidades, com as ilusões passageiras, com essa constante preocupação de malhação do povo brasileiro e da falta de intelecto, de conhecimento, de um mínimo gosto pela leitura. Pra quê estudar se o que aparece mesmo é a bunda e o silicone, neh povo? Numa certa emissora de TV, eu vi os bastidores de uma das noites no camarote da Daniela Mercury (Salvador), que pelo jeito inovou esse ano fazendo muitas noites com músicas diferentes além do chatinho do axé baiano (ponto pra grande cantora Daniela Mercury!!), e quem estava apresentando os bastidores dessa noite era a desprovida de cérebro pensante: Carla Perez. Meu Deus do Céu, que anta a coitada! Só deu gafe, só falou merda, não perguntou nada que prestasse, o coitado do Selton Melo teve que tomar as rédeas da entrevista dele para o assunto CARNAVAL, pois a entrevistadora em questão só falou de cinema em pleno camarote de carnaval. E olha que escrever aqui que ela falou de "cinema" é quase um elogio pra coitada. E pensar que a bunda mais rebolante deste país agora apresenta programa para as crianças... O que será do futuro deste país?
Outra coisa que eu não tiraria do carnaval brasileiro, é a beleza da mulher brasileira. Sim, as fantasias são lindas e são dignas da nossa beleza, exaltam nossas belas curvas e nosso gingado. O que eu não consigo achar bonito é a preocupação exclusiva com malhação e regime para exibição e competição no carnaval, vocês conseguem ver a diferença sutil entre uma coisa e outra? Na Sapucaí esse ano eu vi muitas mulheres parecendo homens de tão malhadas, isso é horrível e sem contar que homem gosta mesmo é de mulher feminina, quem se importa com algumas celulites??? Mas talvez eu é quem tenha preocupações sublimes demais, como a evolução da minha consciência, emanação de amor, a propagação da criatividade e das artes, boa música e sentimentos verdadeiros e não ilusões passageiras. Pensem sobre isso, para que o carnaval de 2010 seja repleto de sensualidade e muita inovação cultural e musical e menos bunda malhada, acompanhada de uma vaidade fútil...
Até o próximo carnaval e bom Gala Gay, no país dos machões do futebol.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Utopia ou simplicidade?

Não sei se é um sonho ou se são lembranças de um outro tempo, só sei que eu estava acostumada a acordar ao som de uma orquestra de pássaros. Pássaros de Bach, Vivaldi, Strauss e até mesmo Villa Lobos. Mas aqui acordamos de forma diferente... Os barulhos urbanos são desarmoniosos, em grande quantidade e incomodam sutilmente os pensamentos. A água caindo nas pedras, as folhas das árvores movendo com o vento, os pássaros num uníssono ensaiado, alguns insetos, outros animais se juntam, as flautas dos anjos, o pólem do amor se espalhando e o próprio barulho do vento a levar a paz eterna são bem mais sutis e bem menos irritantes que o som dos inventos humanos. As galinhas acordam ao nascer do sol, e concordo que seu cocoricar pode atrapalhar o sono daqueles que não estão sincronizados com este relógio natural , mas veja bem, em centros urbanos , seja esse centro muito grande, médio ou até mesmo pequeno, os caminhões, ônibus de transporte público, metrôs, carros e motos com suas surdinas estouradas acordam bem antes que as galinhas. isso quando ainda nem foram dormir. Tudo bem, ninguém está aqui para julgar horários e costumes, só me indago pois vejo muitos inventos de pouca utilidade e muito ruído por aí. Carro a gasolina, álcool ou até a gás... Pra quê? Existe um lugar onde as "pessoas" pensam nas outras e se teletransportam para tomar café da manhã com um amigo ou familiar que há tempos não visita. E ainda, em pesamento você leva o pão de ló fresquinho para o café, o pãozinho saído do forno e alguns pássaros ainda o acompanham para deixar o clima do café um tanto quanto bucólico. Utopia? Não! São lembranças... Ninguém acorda com a buzina de algum ser já muito nervoso com o trânsito ou com a própria vida às 6:35 da matina (há quem consiga ser tão nervoso nesse horário, acredite!) ou com o estremecer de um caminhão que passa pela avenida da cidade nesse mesmo horário. Ninguém de onde eu venho acorda assim. E esse grunhido de alerta quando um ônibus, caminhão ou qualquer similar está dando uma ré? Qual foi a mente estressada que inventou isso? Não seria mais prazeroso que um lindo arco-íris envolvesse o meio de transporte em questão para que todos soubessem quem este está dando marcha ré? Mas posso ir mais além ainda, questionando a falta de criatividade e a falta de confiança dos humanos em inventar objetos gigantes de ferro, metal, plástico para poder se locomover. Não somos poderosos o bastante para transportar o peso do nosso próprio corpo sem ter que inventar mil aparatos para realizar tal tarefa? Utopia ou simplicidade? As cigarras poderiam cantar em paz e a gente poderia escutar suas canções a cada dia. Os ventos poderiam soprar e poderiam acalmar nossos pensamentos sem nenhum impecilho. O sol poderia nos energizar sem que isso pudesse tornar-se nocivo a nossa pele. E por fim, os belos e inúmeros pássaros poderiam saudar cada novo dia cantando uma canção bem suave em bocca chiusa e enquanto isso você poderia colher flores e frutos para pôr a mesa, pois aquele convidado especial de todos os dias estaria logo, logo chegando e assim que o sol for tomando força, os pássaros reunem-se com outros parceiros da natureza e no momento exato da sua refeição com seu irmão especial, a sinfonia já estaria harmoniosa e completa. Bem melhor do que acordar com buzinas, televisões e noticiários de assassinatos, sem contar as freadas, as paradas dos caminhões a cada sinaleira e as estremecidas da sua cama por conta dos inventos urbanos, não?
Viva a utopia e a simplicidade dos sons da natureza!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

"Som & Fúria" divulgação em Caxias

Quarta passada, dia 11/02/09 saiu no Pioneiro divulgação sobre minha participação na minissérie "Som & Fúria". Segue abaixo o que saiu no blog do Carlinhos Santos do 3X4.

Divulgação Cacá Meirelles
A 3por4 impressa de hoje mostra como será o visual da minissérie Som & Fúria, que Fernando Meirelles produz para a Globo. Viviane Rasia Cardoso, a atriz caxiense que trabalhou na O2 Filmes e atua na série, contou que ficou impressionada com o esmero do diretor na hora de comandar sua equipe. Meirelles, segundo Viviane, surpreende pela delicadeza e humildade, além de saber exatamente o que quer em cada take. Outra coisa bacana é que foi ele mesmo quem quis rodar essa história no Brasil. Originalmente ela foi exibida no Canadá, com o título de Slings & Arrows. Meirelles viu, gostou e deteminou-se a trazê-la para o Brasil. Para tanto, chamou o roteirista Bráulio Mantovani, com quem fez Cidade dos Homens, para a adaptação. Som & Fúria também inaugura algo inédito na Globo: a terceirização total da produção. E, no cômpito geral desse papo, quem sai ganhando é o público, que certamente verá qualidade na telinha.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Yoga - Saudação da Lua

De volta a prática do yoga e em homenagem à lua cheia, lá vai um video sobre a Saudação da Lua. Pra quem quiser uma dica, também façam a Saudação ao Sol, muito revigorante.
AMO!!!!